Bons e Velhos Tempos: O dia em que a música morreu

30 de abril de 2012 // By: // 57 Comments

No dia 3 de fevereiro de 1959, um acidente de avião interrompeu a vida e a carreira dos músicos Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper.
A data ficou conhecida como “O dia em que a música morreu” depois da composição da canção de Don McLean intitulada “American Pie”.

Provavelmente vocês, meus caros, conhecem essa canção na voz daquela garota, a Madonna. A versão original é dos meados dos anos 1970’s e não trata exclusivamente do ocorrido naquele 3 de fevereiro, mas em um de seus trechos sedimentou a expressão com que esta data ficaria conhecida.

É uma canção melancólica e saudosista, não muito diferente desta coluna.

Elvis estava servindo o exército, Jerry Lee Lewis afastado da música devido a um escândalo sexual e Little Richard decidido a largar o profano e se converter ao sagrado. Cenário ideal para o surgimento de novos nomes e ídolos musicais na época.

Os três jovens tiveram uma carreira curta, mas influenciaram o modo como hoje se faz Rock’n Roll.
Não é atoa que o acidente ainda é lembrado por várias pessoas e centenas de fãs visitam o local para deixar flores e prestar homenagens.

Buddy Holly

Buddy Holly

 

Buddy Holly, nascido Charles Hardin Holley, é o mais famoso dos três.

Sua trajetória influenciou muitos artistas consagrados, tais como os Beatles, Bob Dylan e, mesmo que indiretamente, todos os roqueiros que você conhece.

O rapaz texano de óculos de aros grossos tinha uma incrível habilidade e sofisticação musical e seu Rock’n Roll pioneiro ainda é atual. Morreu com 22 anos.

Sua rápida carreira ajudou a moldar os pilares do Rock’n Roll. A disposição de sua banda com dois guitarristas, baixista e baterista é um exemplo disso.

Aliás, a semelhança entre o nome de sua banda e aquela famosa de Liverpool não é mera coincidência.

Buddy foi o único a gravar uma música com as batidas do falo nas nádegas como percussão.

 

Richie Valens

Richie Valens começou muito cedo a se interessar pela música. Sua carreira, no entanto, durou apenas cerca de 10 meses. Morreu aos 17.

Para sacudir o esqueleto

 

De ascendência mexicana, muitos consideram que Ritchie Valens foi o pioneiro do estilo “chicano rock”, abrindo portas para os demais artistas latinos.

Bom, de certa forma é verdade, já que vocês podem se lembrar dele toda vez que alguém toca “La Bamba” nas rodas de violão.

Esta era uma típica canção mexicana que Ritchie resolveu gravar com ares de Rock’n Roll.
(Não deve ser atoa que essa música sempre é emendada nas mesmas rodinhas com “Twist and Shout”).

Big Bopper, Ritchie Valens e Buddy Holly

Big Bopper

Big Bopper era o nome artístico de Jiles Perry Richardson. Ficou conhecido pelo carisma, bom humor e, principalmente, pela canção “Chantilly Lace”.

É provável que tenha sido o primeiro artista a produzir um videoclipe, da canção anteriormente mencionada.
Os Rolling Stones, anos mais tarde, gravaram essa música em um show em Frankfurt.

You knooow what I like!

J. P. Richardson, como também era chamado, fazia música com humor. Era um conhecido DJ de rádio e havia iniciado a carreira como cantor e compositor alguns meses antes do acidente.

Morreu com 27 anos deixando uma esposa e um filho prestes a nascer.

O dia em que a música morreu

 

Os três artistas se encontraram para uma turnê por várias cidades do centro-oeste dos Estados Unidos, denominada “Winter Dance Party”.
A proposta inicial era realizar todos os trajetos com um ônibus próprio.O ônibus, no entanto, estava com o sistema de aquecimento quebrado.

Logo, alguns músicos tiveram sérios problemas de saúde em decorrência do frio que se fazia naquela época do ano.

Como a logística da turnê não estava de acordo com as necessidades básicas dos artistas (tais como aquecimento, roupas limpas e tempo para descanso), Buddy Holly teve a ideia de fretar um pequeno avião para levá-lo junto a alguns membros de sua banda até a cidade vizinha, tendo tempo para descanso e roupas limpas.

A partir de então o que ocorreu foi uma série de acontecimentos lazarentos que iriam mudar para sempre a história da música.

Sabe-se que Big Bopper apenas entrou naquele avião porque estava gripado e que o lugar de Ritchie Valens era inicialmente do guitarrista da banda de Holly.

Os dois apostaram no “cara ou coroa” para ver quem ficaria com o assento e o afortunado foi Ritchie.

Pouco antes da decolagem, Buddy Holly disse brincando a Waylon Jennings (guitarrista): “Espero que seu ônibus velho congele”.

Jennings prontamente respondeu: E eu espero que o seu velho avião caia”.

Ouch!

 

Pouco tempo depois da decolagem o avião caiu numa plantação a 8 km. Ainda é controverso se houve falha humana ou se a tempestade de neve, por si só, propiciou a queda. O que se sabe é que os três e o piloto morreram instantaneamente.

Indaga-se se vivos os jovens ainda fariam tanto sucesso ou se cairiam no esquecimento. É certo que esse acidente mudou os rumos da música. Bob Dylan viu Buddy Holly tocar apenas 2 dias antes de sua morte e nunca mais o esqueceu.

Foi a primeira vez que os americanos sofreram a perda de artistas em um desastre como esse.
O choque, no entanto, não se deu apenas pela forma trágica com que os ídolos tiveram suas carreiras interrompidas.
Eles representavam as aspirações da juventude da época, o ultimo rastro de inocência no Rock’n Roll.

É certo que o Rock morreu um pouquinho naquele dia, mas reviveu logo depois com mais força.
Holly, Bopper e Ritchie ainda vivem em cada acorde distorcido que uma guitarra emite hoje em dia.