Cinelol – Notre Jour Viendra

França – 2010

Direção: Romain Gavras

 

Pessoas são imbecis.

Uma das mais frequentes críticas a filmes, especialmente vindas de amadores como eu, é que falta SENTIDO ou TRAMA ao roteiro. “São 120 minutos que não levam a nada”, é frequente ouvir. Mais comum ainda são os que se descabelam com finais bruscos e se esquecem da diversão a que foram submetidos no DECORRER da história. Essas pessoas, na sua obsessão por conclusões e pontos com nós, se comparam a um turista que passa 10 dias em um cruzeiro com bebida liberada, mulheres nuas e comida SOBERBA e reclama da viagem quando descobre que chegou a uma cidade desapontadora. No cinema, na literatura e, principalmente, na vida, o CAMINHO é quase sempre mais importante que o destino.

Notre Jour Viendra, primeiro longa de Romain Gavras (filho do influente Costa Gavras), é um desses filmes que, à primeira vista, é sem propósito. Conta a história de Remy, um ruivo tímido vítima de bullying e seu encontro com Patrick, um psiquiatra doente mental e ruivo brilhantemente interpretado por Vincent Cassel (que já merece toda adoração do mundo só pelo fato de parecer um Na’vi e mesmo assim comer a Monica Bellucci).

(NOTA: Observem que os ruivos, lá no NORTE DO PLANETA sofrem bullying extremo enquanto aqui, em terras guaraníticas, as ruivas são comparadas a ANJOS).

O que pode haver de inquietante nessa cena?

 

Patrick toma Remy como pupilo e desperta nele a catarse mais FURIOSA da história da luta contra a opressão ruiva. Juntos, saem em uma roadtrip DOENTIA alimentando multuamente o espírito de revolta que há em cada um. Seu destino é a Irlanda, terra prometida dos ruivos. No caminho encontrar personagens interessantes e deixam sua marca (atenção especial à cena da JACUZZI e à do quarto de hotel).

Olha você indo procurar o filme AGORA

Os críticos vão dizer que o filme é inconclusivo, gratuito e inócuo. Essa é uma análise superficial. Os personagens são a história. As motivações, embora implícitas, são bem claras. E, como afirmei (e é mais verdade ainda em um roadtrip movie): o que importa é a viagem. O destino é mero detalhe.

PS: Há peitos, bundas e pênises. Alguns deles ruivos.

Nota 4 de 5


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