Divã do Sicko – ajude um leitor de Florianópolis

Esse divã não chega a ser um divã, é mais um pedido de ajuda para a COMUNIDADE e um espaço de desabafo para um dos membros.

Mais cedo inquiri no Twitter acerca de quando foi a última vez que a pessoa se sentiu como um lixo. A resposta de um leitor me chamou a atenção de tão DESGRACENTA.

 

 

Pedi pra ele relatar e reproduzo aqui:

 

Minha vida é uma merda que mescla um livro do Stephen King com os dramas do Jim Carrey. Desde os 5 anos eu sofri bullying na escola por ser gordo e gago, quando falo bullying, não é piadinha, vou te dar exemplos:

Martelaram um prego no meu pé até atravessar do outro lado.

Me sufocaram com uma sacola ao ponto de eu desmaiar.

6 pessoas urinaram em mim ao mesmo tempo.

Quebraram meu braço.

– Esvaziaram uma garrafa de álcool em cima de mim, acenderam o fósforo e jogaram. Aí ficaram rindo por eu ter mijado na calça, afinal, “é só agua, retardado”.

E por aí vai.

Então me mandavam pra diretoria algumas vezes com os bullys. A diretora mandava eu explicar o que havia acontecido, o problema é que eu era realmente gago, ao ponto de não conseguir falar mais que a primeira sílaba quando nervoso. Então ela acabava perdendo a paciência e quem contava as histórias eram os agressores. Com o tempo, nem pra diretoria eu ia mais.

Aos 7 anos fui estuprado por uma vizinha, amiga da minha mãe, onde eu ia pra brincar com o filho dela. Foram várias vezes e acontecia enquanto o meu amiguinho ia tomar banho. No mesmo ano fui estuprado por um vizinho, irmão de um amigo meu onde eu ia pra jogar Mortal Kombat 2. Depois eu descobri que, ao que tudo indica, ambos eram amantes e eu era meio que um brinquedo sexual pra ambos. Só fui entender realmente o que aconteceu ali pelos meus 15 ou 16 anos e só fui contar pra alguém aos 23.

No mesmo ano do estupro meu pai faliu a empresa trabalhava, minha irmã tinha acabado de nascer e minha mãe tava com depressão pós-parto. Meu pai andava com uma arma no carro pra se suicidar e minha mãe tinha ódio dos dois filhos por causa da sua condição mental. Tudo isso enquanto eu era estuprado e violentado na escola. Nunca contei nenhuma dessas coisas aos meus pais, eu amo eles e eles foram e são pessoas fantásticas na minha vida, mas não quero que eles sofram com tudo isso.

Essa época da infância desenvolveu coisas em mim que não me orgulho. Eu comecei a matar animais, ainda hoje não entendo o motivo, sendo que atualmente amo eles e meu melhor amigo é um gato. Mas aquilo me fazia bem de alguma forma inexplicável. Além disso eu tinha pensamentos de violência o tempo todo, pensamentos que me acompanharam até a adolescência, onde comecei a consumir coisas horríveis, frequentar fóruns da deep web, ficar amigo de ícones de violência e ódio na internet, me masturbar para vídeos de violência e filmes snuff, enfim, era uma merda. Tive um amigo imaginário até os 13 anos e se não fosse ele me “dando conselhos”, eu teria feito alguma merda.

Adolescência chegou e eu tive a minha primeira namorada. Depois de 9 meses de namoro descubro que toda a frieza e distância dela tinha um motivo, ela viveu me traindo todo o tempo e tava comigo por uma “aposta” que nunca entendi bem. Terminamos com ela me chamando de bosta pra cima no dia que eu ia entregar uma aliança de compromisso pra ela (coisa de adolescente).

Segunda namorada tinha vergonha de mim e me olhava com desprezo o tempo todo. Além disso, não tinha muito o que reclamar dela.

Terceira namorada foi a mais intensa, tinha borderline, entre crises de choro, possessividade, ciúme excessivo e coisas que me dão até nó na garganta de lembrar, eu trabalhava numa fábrica de fósforos ganhando a bagatela de 830 reais, trabalhando de 6 da manhã, às 6 da noite, dormindo cerca de 4 horas por dia. Passei fome, ficando uma semana inteira com um pacote de pão de forma e nada mais e essa foi uma semana que ainda tive comida, alguns dias eu não tive. Engraçado que conheci ela na internet, na época do fake do orkut. Eu era um bosta inseguro e isso me fez mudar de estado para viver com ela em uma cidade onde não conhecia ninguém, não tinha garantia de emprego e nem de onde morar. O engraçado é que nesse ponto vários psiquiatras e psicólogos me perguntaram o que me manteve são, o que fez com que eu não perdesse o controle e eu sempre respondo que foi a ciência, por mais clichê que isso possa parecer. Depois que eu li um livro, Breve História de Quase Tudo, todo aquele ódio e aquela sujeira dentro de mim, perdeu o sentido e eu passei a enxergar tudo com maravilhamento, mas claro, enxergar o mundo como maravilhoso, não torna ele esse lugar.

Me mudei pra cidade grande pra fazer faculdade. Minha aula era período integral, não podia trabalhar. Morava num lugar onde antigamente funcionava um porão, 12m² contando com o banheiro. O dono era um velho cego extremamente homofóbico que expulsou um dos moradores com uma arma pelo fato de ele ser gay e outro porque sentiu cheiro de incenso no quarto dele. Me tornei a pessoa de maior confiança dele, ao ponto de ele me chamar de filho e isso me salvou, porque cortaram minha bolsa da universidade em dado momento e eu fiquei com zero de renda, então para pagar o aluguel, eu precisava levar novos moradores pra aquele inferno, aí o meu senhorio não me cobrava. Certo dia me pego em pé em frente a cama dele segurando uma faca de madrugada, percebo o que estava prestes a fazer, saio dali e no outro dia vou ao psiquiatra. Após meses de acompanhamento me diagnosticam com Transtorno de Personalidade Dissocial (f60.2 no CID), eu aparentemente sou um psicopata, o que não me trouxe vantagem nenhuma na vida, não me tornou um monstro, nem nada, só me fez aguentar melhor as merdas que passei.

A última namorada ainda estou morando junto. Ela me traiu com meu melhor amigo no início do namoro e mais outras vezes, fazia questão de dizer que não ia pedir desculpas e essas coisas que pessoas mimadas gostam de falar. Quando entrei em depressão severa, agorafobia e fobia social e tive que me afastar por ordem médica da universidade, ela não só não me ajudava, como fazia questão de mostrar que eu era um merda, um lixo, aí me traiu mais uma vez e veio me dizer que ELA QUERIA TERMINAR, porque NÃO DAVA MAIS. Conversamos sobre como é ruim entrar em relacionamentos após terminar um relacionamento longo, que é desespero e tudo mais. Uma semana depois ela me conta que tá namorando o último cara com quem ela me traiu.

Atualmente vivo em Floripa com a renda mensal da bolsa de 950, meu currículo na universidade tá o chorume do lixo e eu luto todos os dias pra não me matar. Tenho 25 anos, mas sinto que vivi uns 60. Não posso contar minha história por medo de julgamento, não posso contar o que tenho por medo de acharem que sou um serial killer, não quero contar à minha família, poucos amigos meus sabem e eu to tentando me tratar na medida do possível.

 

Para provar que o diagnóstico médico não é caô, ele me enviou o relatório médico:

 

 

Em resumo, o cara está MORANDO COM A EX que traiu ele com o melhor amigo e que agora está namorando com o mesmo amigo; sofre de uma série de problemas psiquiátricos graves alguns dos quais criam estigma social e dificultam que ele consiga ajuda; está DURO.

 

Vendo o relato no Twitter, muita gente se ofereceu para ajudar de alguma forma. Eu mesmo me propus a pagar alguma hospedagem temporária para ele sair da casa, mas seria solução temporária.

 

O LOL É UM SITE DE HUMOR ADULTO E DE GENTE PELADA, não é site de CARIDADE, mas nesse caso específico achei por bem abrir um espaço público para ajudar alguém.

 

Em resumo, esse leitor precisa, urgentemente, de:

  • Um emprego
  • Tratamento psiquiátrico
  • Um lugar temporário para morar

 

Se você é de Floripa e pode ajudar com alguma dessas coisas, entre em contato comigo que eu conecto vocês dois.

 

PAS

 

ADENDOS IMPORTANTES

  • Não conheço o leitor pessoalmente e não tenho como verificar toda a história, obviamente. Vi seus perfis em redes sociais, contudo, e não tenho motivos para duvidar. Se for ajudar contatando-o, leve isso em consideração.
  • Ele não quer dinheiro. Me ofereci para pagar uns dias de hotel e ele se recusou.
  • Desconfio muito desse diagnóstico aí e não levaria totalmente ao pé da letra. Acho que ele deveria procurar uma outra opinião psiquiátrica.

 

loading...