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Meu nome é J.C. e na Coluna Tal vou falar sobre as minhas experiências no que há de mais bizarro no mundo moderno. Explorarei bocas de fumo, vou me enfurnar em puteiros, lidar com marginais, bêbados e drogados, tudo para trazer a vocês uma dose cavalar de realidade. Aqui o leitor vai descobrir o que há por trás das cercas brancas dos condomínios e o que se esconde embaixo das saias das meninas. Um jornalismo como você não poderá ler em nenhum outro lugar.

A primeira matéria é produto de uma reportagem feita para um jornal impresso. A proposta inicial era construir uma série de reportagens a respeito do sub-mundo do sexo. Os cortes na edição foram tantos que ao final ela foi indicada para compor a sinopse da nova temporada de Malhação.

O LOL, HEHEHE , em um lance que abalou o mercado mundial, comprou o projeto original por dois maços de Marlboro box e um litro de conhaque. Embora até agora apenas tenham entregue um Hollywood menta, o texto já está liberado para publicação.

Deixem suas impressões.

Cine-Erótico

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Tipo isso, só que bem pior

Neons vermelhos. Por toda a parede pôsteres em tamanho real de filmes pornográficos fazem a decoração. Na porta, uma mulher com cerca de 25 anos, branca, os cabelos descoloridos e semi-nua faz as vezes de recepcionista. Os seios são flácidos e a bunda não tem curvas. Poucos pagariam mais do que R$10 para fodê-la, mas para a maioria da clientela de um dos principais cinemas eróticos de Goiânia, a garota é uma puta de luxo.

Ela diz que se chama Juliana, mas logo admite que é “nome de guerra”. A sua função é atrair os pobres coitados que passam pela principal artéria viária da Capital para as sessões da casa. Ela me acompanha até o hall de entrada e dá a dica: “Apresentamos sexo ao vivo. Você pode transar se for escolhido pela garota. Mas se quiser se divertir pra valer vai ter que ir ao camarote”.

– Camarote?

– Huumm. Nunca veio aqui, né? Fica no segundo andar, onde os casais assistem ao show. Mas você só pode entrar acompanhado – disse se insinuando. Dispensei a agradável companhia de Juliana e fui espiar por conta própria.

O hall de entrada tem três paredes feitas de divisórias, sendo que a da esquerda possui a catraca de entrada, guardada por um segurança particular. Ele não é mal encarado como se espera. Tem os cabelos longos e proeminente barriga. Veste jaqueta preta com jeans e coturnos de policial. A cabine para compra dos ingressos fica ? direita e o que chama a atenção é a acessibilidade.

Um cartaz anuncia o preço da entrada: R$ 12 a inteira e R$ 6 a meia.

– Porra, meia? Deve lotar de moleques.

A atendente sorri.

– Tem a fiscalização. Se não colocar isso aí eles torram. Já tentaram multar aqui uma vez.

Brindamos em silêncio ? Constituição – todo brasileiro tem direito a comer uma puta com dignidade.

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Segurança de Cine-Erótico

A catraca permite entrada a um cubículo com dois caminhos: o primeiro para a escada com portão de grades, trancado por cadeado, e o outro para as cortinas. O segurança aponta a segunda direção. Atravessando as cortinas surge um imenso palco em formato de “T”, com a tela de projeção ao fundo. Nas duas pontas próximas ? tela postes estão fixados para uso das dançarinas durante o striptease. De ambos os lados da passarela principal, dezenas de pessoas, entre homens e mulheres, aguardam o início do show. Acima da entrada, o aparelho de projeção dispara feixes de luz verde pela minúscula janela, como a dos cinemas convencionais.

A platéia está lotada. À direita um grupo de lésbicas enche a cara. São feias como a minha alma e apenas alguns desgraçados tentam se aproveitar. Me sento em uma poltrona próxima para ver a cena. Menos de cinco minutos depois uma prostituta com cara de sacana se joga ao meu lado. Ela é apenas pele e osso. A mulher se oferece para me prestar “favores sexuais”. Intrigado sobre quantos ela abordou naquela tarde, dispenso a ajuda. A conversa me distrai e por um segundo perco as lésbicas de vista. Elas caminham na direção de uma cortina com um luminoso em cima. Nele está escrito bar. Minha obrigação jornalística me faz segui-las.

Enquanto me dirijo ? s cortinas, uma mulher negra sai rumo a platéia utilizando marketing agressivo: vestindo apenas calcinha fio-dental e sutiã – ambos rosa. Ela vai direto ao ponto: “Quer sexo?”. O programa custa R$ 50.

Bar

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A fumaça dos cigarros forma um pequeno nevoeiro na entrada; À esquerda fica o balcão. Do outro lado, a televisão fica sintonizada em um canal pornô. Junto a ela está um jukebox. Nas mesas e nos sofás homens negociam programas com prostitutas. Uma delas aceita a proposta e começa a tirar a roupa ali mesmo. Ao contrário da garota da entrada, ela é gostosa. Os seios são duros e grandes, parecem de silicone. A bunda tem o formato de maçã e é difícil resistir ? tentação de esbofeteá-la nas nádegas. Ela dança ao som de um rap qualquer, esfregando, vez ou outra, os seios no rosto do cliente. Assim que a música acaba o show também termina – e ela passa para o próximo da fila.

O preço da bebida é salgado. A lata de cerveja custa R$ 4, enquanto a de refrigerante sai por R$ 3. Há bebedouro comunitário que oferece água de graça, mas ninguém parece muito disposto a utilizá-lo. A variedade de bebidas não se restringe a estas duas opções. Na geladeira é possível ver energéticos e vinhos, mas a maioria dos que ali estão provavelmente não tem onde cair morto, quanto mais condição de pagar por uma dose de uísque. Poucos, movidos por algum tipo de tara a mim desconhecida, desfilam com celulares de última geração. O espantoso é que nenhum deles se preocupa em passar despercebido, alguns até se esforçam para chamar atenção, dançando ou conversando alto.

Resolvo entrar no clima e peço ? atendente uma dose de conhaque. Logo uma das garotas, ruiva, pequena, com jeito de menina rebelde, pede para que pague um drink a ela. A garota é realmente quente. Os seios são pequenos e firmes, o rosto ainda tem feições infantis. O mamilo esquerdo espia pelo minúsculo top. “Você faz programas?”, pergunto. “Só quando quero. Sou dançarina”, responde com ar atrevido. “Vai me pagar a bebida ou não?”. Ela pega o copo e traga tudo em apenas um gole. “Você tem nome?”, a pergunta não agrada a garota que responde de mau grado: “Karine”.

Somos interrompidos por uma movimentação estranha. Urros saem do banheiro masculino. Um princípio de confusão. Logo um travesti sai pela porta com ar afetado. “Você quer trepar e não têm dinheiro, meu bem?”. O homem a quem ele se dirigia sai como uma bala pela cortina. Com certeza não queria ser associado a um travesti negro com 1,80 m e uns 90 quilos. “Quer ir para um lugar mais tranqüilo?”, perguntei a minha pequena acompanhante. “Não vai nem perguntar o preço?”, disse novamente com ar atrevido.

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Você quer trepar e não têm dinheiro, meu bem?

Os VIP´s do sexo

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“Hahaha, juuuuura?”

Os clientes do maior cine erótico de Goiânia são de uma diversidade assustadora. Travestis e prostitutas dividem espaço com todo o tipo de degenerado sexual. O único lugar onde um pouco de sanidade é encontrada é no chamado camarote. Lá os casais praticam o swing – a popular troca de casais. A pequena prostituta Karine é minha chave para entrar neste local de acesso restrito. Apenas homens acompanhados podem participar da suruba.

Karine têm uma ganância incompatível com o corpo. Ela cobra R$ 100 para subir ao camarote, R$ 80 pelos seus “serviços” e R$ 20 pela entrada. Acertamos o preço e ela prometeu que não iria me arrepender. A garota me guia até o segurança que recebe o dinheiro e abre as grades da escada. O ambiente é escuro, o que facilita tropeços nos degraus. No topo há uma pequena entrada ? esquerda. A visão é espantosa: oito casais nus, espalhados por cerca de duas dúzias de cadeiras estofadas de couro, trocando sucessivamente de parceiros.

Assim que entro Karine começa a tirar a roupa com a maior tranqüilidade. A menina faz jus ao preço, o corpo é ainda mais apetitoso sem os trapos. Na nádega esquerda uma tatuagem de rosas. Jogamos as roupas nos bancos vazios. Um incrível censo de ética parece unir os participantes. A primeira coisa que me informam é que não preciso se preocupar com os pertences pelas cadeiras. “Pode ficar sossegado. Aqui ninguém é sacana”, diz um deles enquanto fode alternadamente duas morenas. Uma doce sensação de conforto me toma – Karine está ajoelhada ? minha frente.

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Assim, só que sem o nome do Sicko tatuado ali

O impressionante é que a maioria dos casais realmente são maridos e esposas, alguns namorados. Enquanto fodem, os que ainda têm ar nos pulmões conversam como se estivessem em uma maldita partida de pôquer. Um casal na faixa dos quarenta se aproxima de mim. Eles querem participar da sacanagem. A dona começa a me acariciar do nada, enquanto me esforço para acompanhar o pique de Karine. Quando o marido tenta forçar Karine a fazer sexo oral, ela o empurra. Ele não reage nem chama a esposa de volta. Para rolar o swing, todos precisam estar de acordo.

A negativa da minha acompanhante não o desanima. Tampouco sua esposa nos esmagando com tantas mãos o incomoda. Alguns minutos com aquela senhora me apertando e me tornei compreensivo. Também não agüentaria aquela mulher se ela não fosse doida a ponto de topar que eu coma outras de vez em quando.

Logo outro cara do grupo parte pra ela. Os dois ficam praticamente em cima de mim, gemendo e suando como porcos. Um som gutural parece surgir sob nossos pés. Uma voz feminina anuncia: “Vamos chegando gatinhos, tá na hora do show!”.

Sessão erótica

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O show de striptease começa no cinema erótico. A maioria dos clientes se reúne na platéia, onde homens e mulheres transam sem o menor pudor. A ação começa quando as luzes se apagam e os casais se formam. Vale tudo e nenhum “lanterninha” tenta impedir os mais desinibidos. O ponto alto do show é quando os artistas contratados pela casa convidam clientes da platéia para participar da sessão de sexo ao vivo.

Karine se veste rapidamente e parte para trás do palco. Me sento na última fileira, onde posso ter visão completa da cena. As lésbicas voltam para o mesmo local que estavam mais cedo. Logo o holofote foca no centro do palco e uma das meninas começa o strip. Ela não leva muito tempo para tirar a pouca roupa que usa quando começa o show. Salta da passarela e permite que os homens nas cadeiras próximas ao palco a toquem. Mais duas meninas aparecem e começam a fazer manobras nos postes. A música acelera de ritmo enquanto elas se viram de costas para a platéia e começam a rebolar.

A stripper que se apresenta em seguida começa a escolher os homens com quem irá ter relações. Em média três são convidados a subir no palco, para o caso de falha na hora “H”. Ela pega o primeiro e o leva pelas mãos ao centro do palco. O garoto se esforça (ela também) – e nada. A platéia começa a vaiar com força. O segundo se sai melhor. Ele pega a garota e os dois rolam pelo palco enquanto os tarados ficam observando tudo. Alguns se levantam e vão para perto do palco, para obter uma melhor visão.

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“Isso nunca me aconteceu antes”

Assim que show termina é a vez da sessão pornográfica. Os holofotes são apagados e a única luz vem da tela de cinema. Muitos homossexuais aproveitam este momento para encontrar parceiros. É praticamente impossível conseguir fileira que não tenha casal, homo ou não, praticando sexo. O movimento no cinema é praticamente o mesmo todos os dias da semana.

No final da sessão as luzes são acesas sem qualquer aviso. Alguns dos clientes são pegos em momentos íntimos, mas não demonstram grande constrangimento. O locutor agradece a presença de todos e promete que o show continuará no outro dia. O segurança se dirige ao salão e aguarda até que o último cliente se retire. Ao fim da jornada de trabalho dentro do cinema, muitas garotas de programa se preparam para trabalhos fora da casa.

Coluna Tal – Cine-Erótico

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